quinta-feira, março 09, 2017

Nuvens e Nuvens


Deserto Atacama por Elias Benavides Dalago

Céus são encantadores e esta imagem prendeu minha atenção pelas linhas puras, bela paleta de cores, um caminho indefinido no canto e ...majestosas nuvens roubando a cena das montanhas imponentes.Bonito!
Consequência foi a busca pelos céus e nuvens pintados, e como fazer.


Nestas andanças encontrei um tutorial muito pertinente de Robie Benve cujos conceitos transcrevi para esta anotação.
Havia assistido um ou dois vídeos sobre nuvens, mas não me esclareceram o caminho sobre a diversidade desejada,  como alcançar formas  e cores  realmente bonitas. Creio que nuvens e céus são muito pessoais...
Contudo existem regrinhas básicas:


Robie Benve

Bordas Suaves e Leves
Requer muito equilíbrio a transição entre bordas suaves, macias ou ralas e partes densas da nuvem. Existem bordas de nuvens tão suaves e translúcidas que deixam entrever o céu. Este por sua vez a medida que se estende no horizonte muda gradualmente de cor.
Misturar a cor do céu com a das nuvens, manter bordas suaves, esmaecidas e interrompidas ajuda muito na beleza da composição.


Robie Benve

Paleta de Cinzas
As cores vibrantes serão realçadas se contrastadas com cores neutras ou monótonas.  Representando um crepúsculo,por exemplo, consegue-se evidenciar mais os tons de laranja se estiverem próximos de cinzas. E os melhores cinzas para a composição são criados com as tintas usadas na paleta. Mais adequados que os derivados de branco e preto são cinzas criados com tríades de cores complementares.


Cassandra James

Perspectiva Atmosférica
Cores e matizes mudam a medida que os objetos se distanciam do expectador. Se observarmos uma paisagem que se estende para a linha do horizonte veremos que os objetos perto de nós são mais intensos e definidos. E a coloração vai da mais quente para a mais fria enquanto  os contrastes de valor diminuem com a distância..
Isto acontece na terra e no céu. O mesmo critério se aplica à vegetação e à formação de nuvens.
A mudança de tonalidade e definição ocorre pela quantidade de ar e partículas ente o objeto observado e o expectador.
Para definir a gama de matizes no céu devemos observar que a espessura da atmosfera modifica a cor. Acima das nossas cabeças o céu é mais intenso ou escuro e vai esmaecendo na direção do horizonte.
Contudo estes critérios dependem da origem da luz.


Linda Schaffer

O Branco Não É Puro
Nada é verdadeiramente branco no céu pois toda natureza recebe influência das cores da luz. Dependendo do clima representado, ou do ângulo de incidência da luz,  branco deve ser matizado de  amarelo, laranja, magenta, violeta, verde, azul...
Robie Benve sugere o branco de zinco para misturar com outras cores e o branco de titânio para realces. Enquanto branco de titânio é muito opaco e "mata " as cores rapidamente, branco de zinco é mais transparente e permite criar efeito de luminosidade mantendo a característica da cor adicionada.


Não à Escravidão da Foto.
Em alguns momentos pequenas modificações  no modelo auxiliam a composição da pintura. Existe a "licença artística" para edições, mesmo porque a câmera altera a maneira que as cores se relacionam. Sombras perdem detalhes e nuances coloridos ; áreas escuras ficam mais escuras que na realidade.


Renato Mucillo

Tamanho dos Pincéis.
Inicialmente  pinceis grandes  e na sequência do trabalho ao se aproximar da finalização  pinceis menores.
Nuvens e céu exigem que a visualização parta do maior para o menor, sem se apegar a detalhes, no início.



Adam Hall

A luz Mais Leve é Ainda Mais Leve
Existe uma desconexão sobre uma cor quando estamos misturando, ou preparando, e quando aplicamos.
As vezes uma cor que parece muito quente na paleta fica bem na pintura, ou a que parecia clara se torna mais escura do que desejaríamos.
Céus geralmente são as formas mais leves de uma pintura.
Assim a sugestão é  que se desejarmos  uma cor clara partir da mais clara ainda, ou branca, adicionando matiz vagarosamente.
É mais fácil escurecer se ficou muito leve do que tornar leve uma tonalidade muito escura.


Renato Mucillo

Espessura da Tinta e Perspectiva.
Céu é feito de ar, partículas e poeiras.
O ideal é começar com uma lavagem muito fina de áreas de luz e sombra.. Tintas acrílicas bem diluídas em água e óleos em terebentina. Adicionando aos poucos tintas mais densas para os diferentes valores.
Robie Benve segue este caminho tanto para objetos sólidos no chão quanto para céus e nuvens. Costuma usar tinta mais diluída para locais sombreados e mais espessa em algumas áreas claras. Nuvens mais sólidas e próximas do expectador também requerem tintas mais concentradas.
Perspectiva é importante. Linearidade e proporções no céu obedecem às mesmas regras de outros objetos. Nuvens como qualquer outro objeto ficam menores a medida que se aproximam do ponto de fuga.
Olhando para nuvens de dentro de um avião podemos observar que elas flutuam paralelas a superfície da terra.


Joseph

Renderização das Nuvens Como Objetos Sólidos
Pensar nas nuvens como objetos sólidos e geométricos (cuboides) ajuda a renderizar sombras e luzes . Mesmo sendo objetos suaves e transparentes.
Auxilia desenhar antes da pintura. Fazer um estudo em papel representando as nuvens como objetos geométricos ou caixas, e determinando  de que lado estão as sombras, luz, sombras parciais e luzes refletidas.


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