domingo, agosto 20, 2017

Estrangeiridade e Arte Contemporânea


Arte contemporânea pretende ser uma expressão livre da sensibilidade humana. Correto.
Ainda hoje li que deve carregar na bagagem uma certa estrangeiridade.
Podemos aceitar facilmente que arte  quebra dogmas, ou o que cerceia  criatividade.
Assim evoluiu a arte abstrata,  que já foi contemporânea...quebrando, desconstruindo o que era explícito.
Forma artística  que para alguns parece representação fácil,  e na verdade é fruto de elaboração que atravessa a formalidade do figurativo.
Entretanto tenho percebido que, nas esferas de conhecimento da arte, e talvez também de público consumidor, tem  fortalecido o culto à fealdade.
Não de forma, cores ou texturas, mas de mensagem.
O que chama atenção é a representação das iniquidades. Cada vez mais. Como se o feio bonito lhe parecesse. O feio íntimo.
Beleza artística está "demodè" seja  figurativa, abstrata ou contemporânea.
Reflexo da desconexão que se abate sobre os homens? Um paradoxo no mundo globalizado ?
Possivelmente.
Basta lembramos que estrangeiridade é alvo de estudos no âmbito psicológico,
onde o objeto, ou sujeito, " experimenta um conflito que é próprio de sua constituição: Desamparo diante de tudo que não lhe é familiar".
Certamente dirão que o termo tem conotações diferentes, se empregado artisticamente,  ou em estudo científico.
Pessoalmente creio que se entrelaçam, irmanados na gênese.
E fico a pensar...Minha estrangeiridade,  ou meu desamparo,  busca o belo,  seja no traço certo ou torto.
Serei muito antiga?  Ou inocente futurista num  vislumbre do amanhã?
Afinal tudo é cíclico.
Tenho esperanças no belo.

Imagem: arte de Renata Franzky
Referências: Estrangeiridade E Vulnerabilidade Psíquica, Suzana Mallard-UFPR


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